Pintura para um pântano

Atracado na lama escorregadia dos corgos
Que íntima penúrias neste corpo que vivo
Onde compassa o segundo que me enterra em desprezo
Esbracejo na lágrima num resvalo de limo
Porque ódio, passas de luto em mim
Se em luta me dou como uma pérola de nervo
Como uma furna de suor em ebulição
No gemido da força do sangue onde fervo
Há mortalhas de protesto submersas nos pântanos
Que flutuam no leite atraiçoado do limbo
Fatos de ganga com o fumo nas mangas
Que mergulham o grito num silêncio de tinto
Sonolentos cartazes de fábricas mortas
Em desespero como em dor anestesiadas
Plantam nas margens dos abismos de lodo
Horas extras etílicas hipnotizadas
É na robustez das agruras onde me afundas
Que á greve e á fome, não me falta a água
Alimenta o meu corpo de marés bravias
Que explodirão nas ruas numa granada de mágoa
Profunda é a ferida do homem dos pântanos
Carne viva de lava e fraternidade
Nos atoleiros sombrios onde me queres
Sou casulo dos homens em maternidade
Assim encharcado de musgo e razão
Estrebucho em pingos de suor cristalino
Que há-de drenar cisternas de injúria
No alcatrão que transpira o labor citadino
Espezinhados aos milhões como fósseis de gente
Talvez assim porque entendemos
Que enterrados na lama da vida madrasta
Escorregamos sem força, mas não nos rendemos!

Vlad

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